A Ordem DeMolay como filosofia: incluindo
um jovem na sociedade
Há quatro anos, por volta dos meus 13 anos de idade, encontrava-me em
uma situação um pouco desesperadora. Eu era jovem demais e achava-me perdido em
meio à desocupação e aos pensamentos vagos. Era uma época turbulenta, quando
meus baluartes corriam o risco de afundar em meio as ruínas da dúvida e da
incerteza. Não tinha rumo na vida, não sabia para onde ir. Encontrava-me em um
vale de sombras sem saber qual objetivo Deus tinha para mim.
Eu era um garoto extremamente tímido. Tímido ao ponto de reprovar na
escola em razão de não apresentar os seminários demandados pelos professores.
Tinha medo e vergonha de olhar para as pessoas. Certa vez, de tão inseguro e
envergonhado, não consegui, se quer, comprar um simples DVD em uma loja.
Simplesmente, travei. A prisão da timidez me atormentava dia após dia. Estava
agoniado! Não aguentava mais! Necessitava de algo que me desse alicerce e
vontade de quebrar as grades da minha própria prisão. Precisava de um rumo,
necessitava de algo que me desse esperança e sustentáculo para basear minha
vida.
Meu hobby favorito era ver TV. Passava horas e horas naquela mesmice, deitado
e assistindo. Não gostava de sair com a família e nem com os amigos. Preferia
ficar em casa. Perdia momentos únicos em família, ocasiões que nunca mais
voltarão. Certa vez, no auge do tédio e do desespero interno, após 6 horas
deitado e em reflexão profunda, perguntava-me, em agitação interna abissal,
quando tudo aquilo iria acabar e quando eu me tornaria uma pessoa comunicável,
segura e feliz como as outras. Mal sabia eu dos planos de Deus...
Certo dia, de inesperado, recebi um convite daqueles que levam a
reflexão e que marcam momentos. Era um chamado, já feito outras vezes, para
assistir a uma reunião aberta da Ordem DeMolay. Antes desse já viria a rejeitar
outros quatro, todos por preconceito. Pensava que essa tal de “maçonaria” e “demolei”
mexiam com coisas erradas, tinha relações com o demônio e eu não queria aquilo
para mim. Mas eu senti que aquela convocação era diferente. Deixou-me inquieto
e apreensivo. No silêncio do meu quarto eu refletia e me perguntava o porquê eu
estava daquela forma com um simples chamamento. Com certeza aquilo foi um golpe
psicológico profundo. Resolvi aceitar, ao mesmo tempo em que mergulhava em um mar
de ansiedade nunca sentido antes.
Na noite da cerimônia pública, em um sábado, cheguei muito cedo,
cabisbaixo e mal falei com alguém, se quer olhei para as pessoas ali presentes.
Havia pouca gente no salão de jogos a espera do começo da reunião. Estava
nervosíssimo e ansioso. Disfarçava tentando concertar o tênis rasgado, quase que
pisando no chão. No começo do encontro fiquei deslumbrado com aqueles símbolos
estranhos nas paredes e com as falas, movimentações e, principalmente, a
seriedade dos DeMolays, a maioria meus amigos, o que me deixou ainda mais
boquiaberto. Eles levantavam por batidas de um “martelo” naquela tal de “sala
capitular”.
Dias depois recebi a notícia que tinha sido aprovado para iniciar. Recepcionei
o anúncio com alegria e via, com esperança, novos horizontes a minha frente. Os
dias passavam e o relógio parecia que andava para trás. Estava ansioso e
impaciente. Até que, finalmente, em uma manhã de domingo aos 18 dias do mês de
Novembro de 2012, eu e mais três jovens iniciávamos na Ordem DeMolay. Não sabia
ao certo o que estava acontecendo. A escuridão tomava conta de mim até que a venda
caiu e eu enxergava meus amigos de escola com um semblante tão sério que
chegava a me assustar. Mas, realmente, não sabia ao certo o que estava
acontecendo, só sabia de uma coisa lembrada pelo poeta: “da 1ª, eu nasci; pela
4ª, viveria; pela 7ª, morreria; mas, naquele dia, algo me dizia, que DeMolay eu
seria; que DeMolay eu serei”.
Começava ali uma caminhada, uma jornada que iria mudar minha vida
radicalmente e viria para mostrar os rumos que Deus queria para mim. Frank
Sherman Land viria a dizer: “o princípio é o que importa”, e de início eu
estava, simplesmente, apaixonado por tudo aquilo. Ali eu viria a conhecer
grandes irmãos e tios, que me ajudariam a realizar sonhos; que estariam
dispostos a me ajudar com conselhos e serviço, saciando minhas verdadeiras
necessidades; líderes colossais eu conheceria. Aquele companheirismo foi uma
das grandes contribuições que a Ordem DeMolay me propiciaria.
Nos primeiros meses a ordem me moldou de tal forma que evolui
incessantemente. Conforme eu começava a ganhar a confiança de meus novos
irmãos, foram surgindo serviços e cargos no capítulo, o que me deu
autoconfiança. Eu assumia as funções com timidez, mas sempre consciente do
dever de ser melhor e de liderar. Posteriormente comecei a falar com a cabeça levantada
e, olhando para aqueles que me ouviam, pude afirmar para mim mesmo que, SIM, eu
poderia vencer a minha timidez! SIM, eu poderia quebrar as grades da minha
própria prisão e que, SIM, eu me tornaria uma melhor pessoa, um melhor filho e
um melhor amigo!
Logo no início da minha caminhada, no meu quarto mês como DeMolay, ainda
iniciático, surgiu o primeiro grande desafio: apresentar uma cerimônia da Luz
para cerca de 30 pessoas. Nas duas semanas de preparação, pensei por muitas
vezes em desistir e “passar a bola” para outro. Mas eu sabia que se eu renunciasse
estaria fracassando e alimentando ainda mais meu oponente: a timidez. Com esse
pensamento e o encorajamento dos tios, permaneci forte na preparação, com foco
total na memorização e apresentação. Realizei-a e logo após, aliviado com a
certeza que deu tudo certo e parabenizado pelos tios e irmãos pela vitória
frente ao desafio, e encorajado a permanecer firme e forte na caminhada,
prometi para mim mesmo que viria somente a aceitar desafios que exigissem cada
vez mais de mim, lutando sempre com o objetivo de nocautear minha oponente de
uma vez por todas.
Dia após dia só viriam desafios maiores e como prometido todos foram
aceitos e enfrentados com força e coragem. Vieram batalhas para falar a 100...
200... 300 e até 500 pessoas. Sempre com nervosismo, pois ela ainda resistia
dentro de mim, mais eu nunca deixava-a vencer. Essa foi outra grande
contribuição da DeMolay em minha vida: coragem para falar em público e o dom da
oratória. Assim tornei-me uma pessoa mais comunicativa com todos,
principalmente com meus pais e minha família. Tornei-me um melhor filho e estou
sempre na caminhada pelo justo e como um sentinela de nossos baluartes, levando
nossas sete virtudes no peito e enfrentando os desafios do cotidiano. Pois,
todos nós, como DeMolays, sabemos que “talvez nós nunca sejamos chamados a
defender nossa pátria no campo de batalha, porém a vida nós oferece
oportunidade diárias para nos firmarmos como bons e corretos cidadãos.”
Eu sabia que naquela manhã de domingo, quando meu coração palpitava
querendo saltar pela boca e quando eu me ajoelhava pela primeira vez naquele
sagrado altar, ali estava as respostas que eu procurava. Ali eu sabia que aquela
tal de “sala capitular” tornar-se-ia minha segunda casa pelos anos vindouros.
Encontrei o rumo que eu precisava nessa amada Ordem, que mudou minha vida,
assim como a de milhares de jovens pelo mundo. Sou extremamente agradecido à
Ordem DeMolay e suas sete virtudes cardeais, que foram faróis na escuridão e
luzes que iluminaram meu caminho para sair de minha própria prisão e que me
tiraram de um vale de sombras, tornando-me um melhor filho, amigo e líder.
Frank S. Land diria num discurso: “Procure o rapaz quieto para liderar.
Eu vi muitos crescerem na habilidade de inspirar e liderar os outros. O garoto
que é muito agressivo, que tende a forçar seu caminho, geralmente se queima
antes de alcançar o topo. Observe o jovem quieto, sensível e consciente que se
envergonha de assumir um posto de importância e então, quando o desafio
aparecer – observe-o. Ele terá a habilidade de liderar. Ele se transformará num
homem de sucesso. Vocês se orgulharão dele.” Encerro rogando ao Pai Celestial
que conceda essa dádiva de ser iniciado nesta Ordem a mais jovens, que eles
possam deixar-se mudar suas vidas para melhor, assim como permiti que a minha
fosse mudada e que, juntos, possamos mudar a vida de outras pessoas, buscando
dias melhores para sempre.
Obs.: Texto
para o 7º concurso da Associação Brasileira DeMolay de Letras, com tema: "A contribuição da Ordem DeMolay e
suas 7 virtudes cardeais, para formar melhores filhos e líderes". O mesmo registra um depoimento pessoal da contribuição da Ordem DeMolay na minha vida.
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