terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Texto: A Ordem DeMolay como filosofia: incluindo um jovem na sociedade


A Ordem DeMolay como filosofia: incluindo um jovem na sociedade

     Há quatro anos, por volta dos meus 13 anos de idade, encontrava-me em uma situação um pouco desesperadora. Eu era jovem demais e achava-me perdido em meio à desocupação e aos pensamentos vagos. Era uma época turbulenta, quando meus baluartes corriam o risco de afundar em meio as ruínas da dúvida e da incerteza. Não tinha rumo na vida, não sabia para onde ir. Encontrava-me em um vale de sombras sem saber qual objetivo Deus tinha para mim.
     Eu era um garoto extremamente tímido. Tímido ao ponto de reprovar na escola em razão de não apresentar os seminários demandados pelos professores. Tinha medo e vergonha de olhar para as pessoas. Certa vez, de tão inseguro e envergonhado, não consegui, se quer, comprar um simples DVD em uma loja. Simplesmente, travei. A prisão da timidez me atormentava dia após dia. Estava agoniado! Não aguentava mais! Necessitava de algo que me desse alicerce e vontade de quebrar as grades da minha própria prisão. Precisava de um rumo, necessitava de algo que me desse esperança e sustentáculo para basear minha vida.
     Meu hobby favorito era ver TV. Passava horas e horas naquela mesmice, deitado e assistindo. Não gostava de sair com a família e nem com os amigos. Preferia ficar em casa. Perdia momentos únicos em família, ocasiões que nunca mais voltarão. Certa vez, no auge do tédio e do desespero interno, após 6 horas deitado e em reflexão profunda, perguntava-me, em agitação interna abissal, quando tudo aquilo iria acabar e quando eu me tornaria uma pessoa comunicável, segura e feliz como as outras. Mal sabia eu dos planos de Deus...
     Certo dia, de inesperado, recebi um convite daqueles que levam a reflexão e que marcam momentos. Era um chamado, já feito outras vezes, para assistir a uma reunião aberta da Ordem DeMolay. Antes desse já viria a rejeitar outros quatro, todos por preconceito. Pensava que essa tal de “maçonaria” e “demolei” mexiam com coisas erradas, tinha relações com o demônio e eu não queria aquilo para mim. Mas eu senti que aquela convocação era diferente. Deixou-me inquieto e apreensivo. No silêncio do meu quarto eu refletia e me perguntava o porquê eu estava daquela forma com um simples chamamento. Com certeza aquilo foi um golpe psicológico profundo. Resolvi aceitar, ao mesmo tempo em que mergulhava em um mar de ansiedade nunca sentido antes.
     Na noite da cerimônia pública, em um sábado, cheguei muito cedo, cabisbaixo e mal falei com alguém, se quer olhei para as pessoas ali presentes. Havia pouca gente no salão de jogos a espera do começo da reunião. Estava nervosíssimo e ansioso. Disfarçava tentando concertar o tênis rasgado, quase que pisando no chão. No começo do encontro fiquei deslumbrado com aqueles símbolos estranhos nas paredes e com as falas, movimentações e, principalmente, a seriedade dos DeMolays, a maioria meus amigos, o que me deixou ainda mais boquiaberto. Eles levantavam por batidas de um “martelo” naquela tal de “sala capitular”.
     Dias depois recebi a notícia que tinha sido aprovado para iniciar. Recepcionei o anúncio com alegria e via, com esperança, novos horizontes a minha frente. Os dias passavam e o relógio parecia que andava para trás. Estava ansioso e impaciente. Até que, finalmente, em uma manhã de domingo aos 18 dias do mês de Novembro de 2012, eu e mais três jovens iniciávamos na Ordem DeMolay. Não sabia ao certo o que estava acontecendo. A escuridão tomava conta de mim até que a venda caiu e eu enxergava meus amigos de escola com um semblante tão sério que chegava a me assustar. Mas, realmente, não sabia ao certo o que estava acontecendo, só sabia de uma coisa lembrada pelo poeta: “da 1ª, eu nasci; pela 4ª, viveria; pela 7ª, morreria; mas, naquele dia, algo me dizia, que DeMolay eu seria; que DeMolay eu serei”.
     Começava ali uma caminhada, uma jornada que iria mudar minha vida radicalmente e viria para mostrar os rumos que Deus queria para mim. Frank Sherman Land viria a dizer: “o princípio é o que importa”, e de início eu estava, simplesmente, apaixonado por tudo aquilo. Ali eu viria a conhecer grandes irmãos e tios, que me ajudariam a realizar sonhos; que estariam dispostos a me ajudar com conselhos e serviço, saciando minhas verdadeiras necessidades; líderes colossais eu conheceria. Aquele companheirismo foi uma das grandes contribuições que a Ordem DeMolay me propiciaria.
     Nos primeiros meses a ordem me moldou de tal forma que evolui incessantemente. Conforme eu começava a ganhar a confiança de meus novos irmãos, foram surgindo serviços e cargos no capítulo, o que me deu autoconfiança. Eu assumia as funções com timidez, mas sempre consciente do dever de ser melhor e de liderar. Posteriormente comecei a falar com a cabeça levantada e, olhando para aqueles que me ouviam, pude afirmar para mim mesmo que, SIM, eu poderia vencer a minha timidez! SIM, eu poderia quebrar as grades da minha própria prisão e que, SIM, eu me tornaria uma melhor pessoa, um melhor filho e um melhor amigo!
     Logo no início da minha caminhada, no meu quarto mês como DeMolay, ainda iniciático, surgiu o primeiro grande desafio: apresentar uma cerimônia da Luz para cerca de 30 pessoas. Nas duas semanas de preparação, pensei por muitas vezes em desistir e “passar a bola” para outro. Mas eu sabia que se eu renunciasse estaria fracassando e alimentando ainda mais meu oponente: a timidez. Com esse pensamento e o encorajamento dos tios, permaneci forte na preparação, com foco total na memorização e apresentação. Realizei-a e logo após, aliviado com a certeza que deu tudo certo e parabenizado pelos tios e irmãos pela vitória frente ao desafio, e encorajado a permanecer firme e forte na caminhada, prometi para mim mesmo que viria somente a aceitar desafios que exigissem cada vez mais de mim, lutando sempre com o objetivo de nocautear minha oponente de uma vez por todas.
     Dia após dia só viriam desafios maiores e como prometido todos foram aceitos e enfrentados com força e coragem. Vieram batalhas para falar a 100... 200... 300 e até 500 pessoas. Sempre com nervosismo, pois ela ainda resistia dentro de mim, mais eu nunca deixava-a vencer. Essa foi outra grande contribuição da DeMolay em minha vida: coragem para falar em público e o dom da oratória. Assim tornei-me uma pessoa mais comunicativa com todos, principalmente com meus pais e minha família. Tornei-me um melhor filho e estou sempre na caminhada pelo justo e como um sentinela de nossos baluartes, levando nossas sete virtudes no peito e enfrentando os desafios do cotidiano. Pois, todos nós, como DeMolays, sabemos que “talvez nós nunca sejamos chamados a defender nossa pátria no campo de batalha, porém a vida nós oferece oportunidade diárias para nos firmarmos como bons e corretos cidadãos.”
     Eu sabia que naquela manhã de domingo, quando meu coração palpitava querendo saltar pela boca e quando eu me ajoelhava pela primeira vez naquele sagrado altar, ali estava as respostas que eu procurava. Ali eu sabia que aquela tal de “sala capitular” tornar-se-ia minha segunda casa pelos anos vindouros. Encontrei o rumo que eu precisava nessa amada Ordem, que mudou minha vida, assim como a de milhares de jovens pelo mundo. Sou extremamente agradecido à Ordem DeMolay e suas sete virtudes cardeais, que foram faróis na escuridão e luzes que iluminaram meu caminho para sair de minha própria prisão e que me tiraram de um vale de sombras, tornando-me um melhor filho, amigo e líder.
     Frank S. Land diria num discurso: “Procure o rapaz quieto para liderar. Eu vi muitos crescerem na habilidade de inspirar e liderar os outros. O garoto que é muito agressivo, que tende a forçar seu caminho, geralmente se queima antes de alcançar o topo. Observe o jovem quieto, sensível e consciente que se envergonha de assumir um posto de importância e então, quando o desafio aparecer – observe-o. Ele terá a habilidade de liderar. Ele se transformará num homem de sucesso. Vocês se orgulharão dele.” Encerro rogando ao Pai Celestial que conceda essa dádiva de ser iniciado nesta Ordem a mais jovens, que eles possam deixar-se mudar suas vidas para melhor, assim como permiti que a minha fosse mudada e que, juntos, possamos mudar a vida de outras pessoas, buscando dias melhores para sempre.


Obs.: Texto para o 7º concurso da Associação Brasileira DeMolay de Letras, com tema: "A contribuição da Ordem DeMolay e suas 7 virtudes cardeais, para formar melhores filhos e líderes". O mesmo registra um depoimento pessoal da contribuição da Ordem DeMolay na minha vida. 

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Poema: Cântico de Superação



Cântico de Superação 

Depois de decorridos alguns anos como DeMolay,
Julgava-me incapaz de transpor minhas barreiras:
Quer sejam físicas como emocionais.
A essência da Ordem estava a diluir dentro de mim.
Já a considerava etérea em meu ceio.
Talvez pelas pessoas, talvez por minha própria culpa.

Não sabia mais os meus anseios, minhas motivações para estar ali.
Aquela que me transformou no que sou não me tinha mais.
Aquela que foi o divisor de águas de minha vida não me via mais.
Aquela que me acolheu como filho no regaço acolhedor de uma mãe:
Não me tinha mais.
Não sabia mais os meus anseios, minhas motivações para estar ali.

Porém, foi lá que aprendi a ser filho.
Porém, foi lá que aprendi a ter fé.
Porém, foi lá que aprendi a ser fidedigno.
Porém, foi lá que encontrei a superação de meus limites.
Entretanto não me sentia mais dela.
Ela não me tinha mais.

De pronto, o Pai Celeste me apresentou aquele.
Sim, aquele jovem rapaz que reinava já em seu nome.
Chegou de manso, imperando sua essência.
Assim que ele se ajoelhou, ela e ele não se distinguiam mais.
Eram um só corpo e uma só essência.
Aquele jovem trouxe a inspiração... Trouxe a vida.

Era sensato e prudente como os santos.
Apresentava paixão em seus atos.
Era humilde no serviço.
Seu sorriso encantava a todos que se aproximavam.
Seus gestos de carinho confortavam e traziam sensação de paz.
Sim, aquele jovem rapaz que já reinava em seu nome,
Começou a reinar nos corações.

Todas essas virtudes chegaram a mim com a leveza de uma pena.
Seu sorriso exalava amor e um convite.
Um convite para a glória do serviço e do amor desdenhado.
Sentia-me pequeno perto dele, talvez por sua cultura avassaladora.
Sentia-me extremamente tímido em sua presença.
Porém, era apenas dessa presença que eu precisava para reacender a chama.

Você me pergunta: o que a Ordem fez?
Ela uniu em um só corpo pessoas disforme de cultura.
Ela foi à ponte da união e do restabelecimento de uma essência.
Essência antes perdida foi de pronto reanimada.
O que o Pai Celeste fez?
Usou da Ordem DeMolay para salvar uma vida por meio de outra.

São histórias e mais histórias de superação.
São histórias de vidas mudadas por aquele que hoje é centenária.
São histórias contadas do fundo de um coração delator.
São histórias de agradecimento pela simplicidade de um olhar humano.
São histórias que constroem o legado de um século.
São histórias que o Pai Celeste uniu e reuniu.


Obs.: escrevi esse poema em razão do concurso da Academia Brasileira DeMolay de Letras para o ano de 2019. Esse texto consiste em uma homenagem a meu Irmão Davi Salles. Obrigado por tudo, meu caro.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Poema: Apenas mais um humano


Apenas mais um humano

Seus olhos exalavam um tom de esperança.
Tom que transpassava a realidade.
E se fixava em minha mente como algo...
Algo longe da minha alçada humana.
Eram tons etéreos, volúveis.
Com a elegância que só ela tinha.
Seus cabelos transfiguravam em luz castanha.
O vidro entre meu olhar e o verde dela
Refletia que tudo aquilo estava longe de minha alçada.
Ela era de uma magnitude sobrenatural.
Quando a via, minha base já não era mais fulcral.
E eu retornava, sempre, a minha humanidade quase normal.
Mas minha, queria como só minha, entretanto: banal.
Em meus pedidos, orações.
Queria apenas novas ligações.
Poderia ser entre nossos corações.
Talvez, já estava fora de minha...
Eu não há tinha mais.
Mas seus olhos, seus cabelos, sua boca,
Eram como de momentos atuais: inesquecíveis, quase triviais.